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Sã Doutrina nos Anos 1970
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19 de setembro de 2022
Laercio Neves Leal
laerciolealcba@hotmail.com
sadoutrina.org - Biblioteca Digital - Trabalhos Bíbicos
Compartilho um breve relato de como era nossa Igreja nos anos 1970, época de minha adolescência e juventude. Estarei descrevendo aqui o que vivi naquela época, residindo na zona rural da cidade de Dracena, SP. Nessa época convivia com irmãos daquela região e por isso falarei aqui daquilo que presenciei e participei, sei que em algumas regiões pode ter sido diferente.
O meu intuito é fazer com que os mais novos saibam como eram nossos costumes (é bom lembrar que a maioria desses costumes não mudaram) e creio que aqueles que viveram aquela época irão se recordar e se sentirão felizes por terem participado daquela trajetória ao longo desses mais de 50 anos e estarem participando ate os dias de hoje em busca da tão preciosa SALVAÇÃO.
Meu relato será dividido em 5 pontos: cultos espirituais, vigílias, batismos, casamentos e velórios.
01 CULTOS ESPIRITUAIS
Naquela época, no interior do estado de São Paulo, a maioria dos irmãos residiam na zona rural, eram trabalhadores das lavouras de café, amendoim, algodão, arroz, milho e outras culturas da época. As famílias geralmente eram numerosas, era comum os casais terem 5, 6 ou ate mais filhos. Sendo assim era possível a prática do culto espiritual com a própria família.
Muitas famílias quando iam se mudar pra outra localidade, quer seja comprando uma propriedade ou trabalhando em propriedades de outros, sempre procuravam regiões onde já tinha algum irmão estabelecido, onde já se praticavam os cultos em suas casas. Então com o ajuntamento de mais famílias muito lugares se formavam rebanhos de irmãos que ali executavam toda a obra espiritual. Vale ressaltar que era rara a cidade em que se construía igrejas (templos), a primeira surgiu em Dracena e depois Adamantina.
Na época muitos irmãos achavam desnecessários que se construíssem templos, alguns por morarem distantes das cidades, outros por entenderem que não deveríamos ter templos, e ainda tinha um fator relevante que a maioria não usava qualquer meio de locomoção no sábado.
O culto da noite não tinha um horário definido para o início. Como todos eram trabalhadores rurais, serviços pesados, tudo era feito manualmente e com isso era muito cansativo, e ao encerrarem as tarefas assim que jantavam já se reuniam, ate porque eram só aqueles mesmos que estariam congregando.
O culto espiritual da noite podemos dizer que não teve nenhuma mudança. Cantavam dois ou três hinos, o hino da Mãe Bondosa e o presidente dirigia o serviço com as três comunicações. Quando acontecia de ter um serviço de curativo de irmãos ou de pessoas de fora que procuravam curas, muitos acometidos por perseguições, e quando no rebanho tinham irmãos com dons de trabalhar na ceifa as vezes demorava bastante e tinha situações de ser necessário dar até choque nos membros que recebiam os espíritos.
Quanto aos cânticos de hinos não se cantavam na cópia, mas eram todos cultivados. Os cânticos recebidos demoravam dias e até meses pra chegar nas localidades mais distantes e eram enviados por carta ou quando da visita de irmãos que pegavam aquela cópia escrita a mão e assim era distribuído muito lentamente ao contrário de hoje, pois não tínhamos a tecnologia de hoje.
Naquela época os irmãos que recebiam bastante cânticos, muitos que até hoje são cantados foram; Benedito Alves, Anízio Vicente, Cornélio Palomares, Arcísio Militão, entre outros. Tínhamos muitos irmãos e irmãs que também recebiam cânticos em seus rebanhos, mas a maioria certamente por não ter meios para se divulgar ficaram escritos naqueles cadernos que acredito muitos ainda conservam e muitos também se cantam até o dia de hoje.
No sábado ao meio dia, em algumas congregações não tinha a pregação da bíblia. Os irmãos mais antigos tinham por costume de que quem deveria pregar seriam só pregadores de dons já coroados, e por isso, somente quando alguns desses estivessem, era realizado a pregação, caso contrário, se cantavam ali alguns hinos, levantava o presidente e presidia o culto somente com a caridade e a promessa, pois naquela região os irmãos não trabalhavam com duas promessas como algumas regiões faziam.
02 Vigílias
Eram realizadas sempre às sextas feiras. Como os cultos da noite também não tinham um horário determinado pra iniciar. Iniciava-se o culto, cantavam alguns hinos e realizava-se as três comunicações, continuava cantando até a meia noite e realizava outro culto, quase sempre também com as três comunicações, continuava cantando até as 4, 5 horas e daí realizava uma ultima caridade agora sem a ceifa e assim era muito comum quando se encerrava o dia já vinha amanhecendo, e na maioria das congregações serviam um café da manhã aos presentes, quase sempre com deliciosos pães caseiros.
Era raro se trabalhar em uma vigília até meia noite como hoje fazemos e também era raro a prática da pregação em vigília.
03 Batismos
Como já vimos anteriormente as famílias eram numerosas e, portanto, nasciam muitas crianças nas famílias da Sã Doutrina e assim sempre eram realizados batismos nos rebanhos e ainda se viam algumas conversões até de famílias inteiras ou de jovens que se batizavam para se casarem com membros da doutrina.
O culto do batizado era realizado praticamente como hoje. Nesse dia era comum convidar um irmão pregador caso no rebanho não tivesse ninguém com esse dom. As vezes iam distante do lugar onde moravam pra chamar um desses irmãos pra realizar a pregação. Naquela região os irmãos mais procurados eram irmão Alexandre Inácio da Costa, Augusto de Oliveira, Euclides Cezarine entre outros.
Cantava se, pregava e depois do cântico da Mãe Bondosa o irmão que presidia abria com a promessa onde recebia a autorização para o batismo que era realizado após a caridade e em sequência a segunda promessa e se encerrava. Uma curiosidade é que dificilmente as mães conduziam os filhos para receberem a água do batismo, geralmente escolhiam outra irmã, as vezes a vó ou outra de sua confiança para que a criança fosse batizada.
04 Casamentos
Quando dois jovens da Sã Doutrina se uniam era costume de que tudo fosse realizado na residência dos pais da noiva. Ali se construía uma barraca (uma tenda grande) que poderia abrigar tanto a cerimônia religiosa como a festa. A cerimônia religiosa era assim; cantava um ou mais hinos e um pregador, como já citei de dom coroado realizava a pregação, cantava mais um cântico e encerrava. Na região que vivi nessa época não se realizava a obra da caridade em dias de casamentos.
A festa dependia das famílias uns tinham mais condições ofereciam deliciosos jantares com frangos assados, macarronada, outros até churrascos, mas as vezes se serviam um simples lanche, as vezes doces, (tinha um ditado popular que se dizia; fulano vai dar os doces esse ano ), refrigerantes, mas independente de como eram as festas havia uma grande felicidade nesses eventos que geralmente contavam com convidados de outros rebanhos, amigos das famílias que eram de outras religiões e foram nessas festas de casamentos que muitos casais se conheceram e se casaram.
05 Velorios
Por fim falaremos dos velórios. Após termos enfrentado esse período de pandemia, onde vimos uma grande mudança nesse hábito de velório, vamos lembrar como eram naquele tempo.
Os velórios eram realizados nas próprias residências. Como a maioria se passava a noite velando cantava se bastante os cânticos espirituais. Durante a noite realizava trabalhos de caridade, eram recebidos cânticos da própria pessoa que estava velando e de outros anjos. Alguns irmãos respeitavam o início da noite quando muitos amigos, parente e vizinhos que não faziam parte dessa doutrina estavam ali e só iniciavam as práticas espirituais mais tarde, outros já iniciavam logo os cultos e aí se viam alguns que adimiravam a beleza dos hinos, enquanto outros juntavam a família e se retiravam as vezes justificando que tinham que trabalhar no outro dia cedo.
Nesses velórios também só tinha pregação se ali tivesse algum pregador como esses citados e ainda os irmãos Lazinho Ferreira, Vicente, João Adamucho, Eduardo Fornarolo, Ezequiel Manzano, entre outros.
Em alguns rebanhos tinham o costume de cantar um hino no cemitério prestando a ultima homenagem aquele membro que havia partido, mas tinham alguns irmãos que criticavam essa prática.
Portanto irmãos, descrevi o que vi e vivi em minha adolescência e juventude na SÃ DOUTRINA ESPIRITUAL DO SETIMO DIA e espero que chegue ao conhecimento de muitos irmãos.
Laercio Neves Leal, Varzea Grande- MT, 19 de setembro de 2022
Paz de Deus a todos