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Ser Espiritual

13 de Novembro de 2014
fatuch@uol.com.br
José Fatuch Júnior


Ser Espiritual no Mundo Moderno

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A Evolução Tecnológica e Comportamental
Ao falarmos em vida moderna, devemos considerar que este conceito abrange as mais amplas mudanças que o mundo experimentou nas últimas décadas, sob diversas óticas e com velocidade cada vez maior. Nesse espaço de tempo, temos sido testemunhas participativas de um grande avanço tecnológico, que vem aperfeiçoando os meios de transporte e de comunicação, além de áreas como a medicina, a agropecuária, a informática e muitas outras.

É bastante provável que alguns dos dispositivos eletrônicos que passaremos a utilizar somente daqui a meia dezena de anos já tenham sido desenvolvidos e se encontrem em fase de testes ou apenas aguardando o momento oportuno para lançamento. São recursos que, embora renovados com mais e mais funções, mantiveram, em sua maioria, os objetivos primordiais para os quais foram criados, sejam eles a comunicação (exceto em relação aos aparelhos celulares, que apresentaram um progresso diferenciado), as intervenções cirúrgicas, o plantio/colheita ou o processamento de dados.

Paralelamente a essa poderosa evolução, têm sido evidentes as transformações verificadas no campo das ideologias e comportamentos, tornando-se perceptíveis, em vários grupos de convívio (familiar, social, político, profissional, escolar e até no religioso, com destaque para as redes sociais), dificuldades crescentes para a preservação de convenções que aceitávamos como adequadas em termos de relacionamento, ordem, postura e respeito às pessoas, autoridades e instituições.

Ao mesmo tempo em que toda essa reordenação de ideias vem trazendo contribuições positivas à liberdade de expressão, à comunicação e ao fim das discriminações em geral, também vem causando certa apreensão quanto aos limites ainda desconhecidos dessa trajetória. São novas ideologias, carregadas de novos estilos de comportamentos.

Notemos, por exemplo, as agitadas manifestações populares que atingiram o país na metade no ano de 2013 e voltaram a ocorrer em 2014. Se, por um lado, os participantes apresentaram e continuam a apresentar legítimas aspirações em relação a questões sociais de extrema importância para o Brasil, por outro lado grupos de pessoas decididas a promover atos de vandalismo e violência acabaram se destacando pela ousadia e impunidade com que agiram e vem agindo.

Olhando para o quadro atual, muitas dúvidas podem passar a afligir a comunidade da Sã Doutrina, sobretudo quanto à maneira de se conservar a pureza espiritual em meio a tantas variedades de pensamentos e comportamentos que parecem admitir, em algumas ocasiões, condutas repreensíveis perante as orientações bíblicas que, afinal de contas, são muito claras em relação ao assunto: “a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada.” I Pedro 1.25

A propósito, a perenidade e o poder da Palavra de DEUS afloram em várias passagens da Bíblia Sagrada, como, por exemplo, em Mateus 5.17-19, quando Jesus afirma que “... até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”. Da mesma forma observamos em Isaias 55.11: “assim será a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei”.

Avaliaremos melhor a situação atentando para o fato de que houve alterações significativas, umas a favor e outras contra o nosso posicionamento cristão. Não devemos menosprezar os grandes benefícios obtidos em relação à ascensão econômica de boa parte da população, à melhoria da qualidade de vida, à facilidade de locomoção e à queda de barreiras preconceituosas que prejudicavam minorias (inclusive os crentes), além da indiscutível projeção da capacidade de comunicação entre as pessoas (e consequentemente da propagação da Palavra de DEUS).

Por outro lado, são cada vez mais numerosas as possibilidades de distração que hoje nos são disponibilizadas e que podem levar-nos a desviar a atenção daquilo que é mais importante para nós (a espiritualidade), haja vista a força de convencimento das mídias (eletrônicas ou não), o poder de arrebatamento das redes sociais e a pluralidade dos pensamentos políticos atuais. Quem ainda não se viu diante de debates tão modernos quanto polêmicos, como é o caso da opção sexual, do uso de animais para experiências científicas, do consumo excessivo, do aquecimento global, da crise hídrica, da realização da Copa do Mundo no Brasil e tantos outros?
O próprio consumismo, tão discutido por correntes de pensamentos antagônicas, tem os seus defensores pelo fato de aquecer economias e evitar crises de desemprego e tem os seus críticos devido à exploração desenfreada de recursos naturais.

E não é só isso! Devido à exagerada permissividade dos dias atuais, estamos bastante vulneráveis à atração por práticas que não são condizentes com tudo que aprendemos na Doutrina Cristã, ou será que fomos dispensados do respeito às autoridades (Romanos 13.1)? Do amor ao próximo (Romanos 13.8)? Da lealdade nos relacionamentos profissionais (Efésios 6.5-9)? Das obrigações familiares (Efésios 5.22 a 6.4)? E outras tantas recomendações bíblicas?

Dá para enfrentar toda essa tempestade e manter a coerência com os princípios Cristãos? Sim, é claro que dá, embora não possamos afirmar que seja fácil. Assim como não foi fácil para os nossos irmãos, nos tempos passados, superar dificuldades como as discriminações impostas aos chamados “crentes” por vários setores da sociedade, bem como eventuais carências em relação a transporte e comunicações, entre outras.

Parece-nos que muitos jovens podem estar à mercê da falta de limites razoáveis, tanto para a intensidade da utilização de toda a tecnologia hoje disponibilizada, quanto para a expansão das ideologias e comportamentos do mundo moderno. E por falar em jovens, quem disse que eles não podem apresentar equilíbrio desde a sua juventude? Ou será que precisam de muitos anos de vida para adquirir a preciosa temperança, um fruto do espírito?

O Apóstolo Paulo já previa toda essa confusão ao alertar, através de suas cartas, o seu jovem pupilo Timóteo, nas quais podemos destacar o trecho contido em II Timóteo 2.14-26 a 3.1-5, que manteve uma atualidade admirável. E o que podemos fazer em busca do equilíbrio? O próprio Paulo responde quando se dirige aos Romanos (12.2): “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de DEUS.”

E ele continua nos instruindo através de uma série de recomendações em I Tessalonicenses (5.12-22), principalmente quando diz (5.22): “Abstende-vos de toda a aparência do mal”. Melhor se nos apegarmos à essência das pregações de Nosso Senhor Jesus Cristo, que deixou escrito em Mateus 24.35: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”. Receber, com a mais sábia submissão, as correções de nossas lideranças também se faz muito importante.

Ao mesmo tempo, para que possamos interpretar corretamente até onde poderemos seguir no caminho da modernidade dos usos e costumes, alguns procedimentos serão fundamentais: ampliar a prática daleitura bíblica (buscando auxílio para a correta interpretação dos textos escolhidos), tornar mais frequente a nossa presença em eventos religiosos (que proporcionam muitos esclarecimentos sobre como devemos pautar a nossa conduta diante da situação vigente) e reforçar a nossa atenção durante os cultos (onde nos são apresentadas múltiplas orientações, como pregações, cânticos de hinos e mensagens do Consolador).

Com tudo isso, estaremos bem preparados, aptos a enfrentar as inevitáveis mudanças (em boa parte necessárias) que continuarão acontecendo, sem descuidar das recomendações do Senhor em sua essência, pois conforme está escrito em Hebreus 13.8: “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”.

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