Foto da noticia

Corações Frios

18 de Julho de 2016


Escrito por Isaque Galdino - igaldino@gmail.com 
13-Apr-2008
sadoutrina.org - Biblioteca Digital - Crônicas

e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mateus 24:12.
 
Sempre ouvi os mais antigos falarem esta frase, que até virou provérbio, pela constante aparição entre suas conversas, nas rodas que formavam logo após a oração do meio-dia ou ainda ao redor da mesa da oração da noite. No começo eu não entendia direito, confesso que até nos dias de hoje esta profecia ainda é para mim uma incógnita. Não que eu não entenda o seu significado. O que mais me intriga é o porquê! 
 
O fato é que nos últimos tempos, o que temos visto é um esfriamento da espiritualidade da irmandade e quando eu penso nisso, esta frase me vem a mente. 
 
Eu pensava a princípio que o problema estava concentrado, ou melhor, se resumia à juventude porque para mim é óbvio que o tempo que o jovem passa na igreja é muito pequeno e isso acaba afetando a sua espiritualidade. Se nós pegarmos, por exemplo, um jovem que está cursando o ensino médio e ainda trabalha, e verificarmos quantos cultos espirituais ele consegue acompanhar por semana, chegaremos ao número, muito baixo, de apenas três.   
.                                           
Deste raciocínio muito básico, chegamos a conclusão que o jovem sofre, e muito, para desenvolver o seu lado espiritual. Esta também é a ideia principal que move as Reuniões de Jovens para trabalhar em conseguir manter o jovem dentro da congregação, na comunidade, através de reuniões, encontros, festas e passeios.
 
É também com este objetivo que traço meu trabalho com eles. Uma vez endereçado o problema da juventude fica mais fácil propor soluções, afinal não podemos negar que os trabalhos das Reuniões tem seus efeitos, poderíamos pensar então que o problema estava sanado.
 
Analisando mais uma vez o esforço espiritual do nosso povo, em especial aqueles irmãos e irmãs, que já estão formados espiritualmente, que são soldados completos e que estão “perfeitamente preparados para toda a boa obra” (II Timóteo 3:17), vejo com surpresa que o esfriamento espiritual também os tenha alcançado. 

É triste ver grandes congregações, com capacidade para um número grande de pessoas, estarem vazias ou com um número tão reduzido de fiéis que quase não é possível se realizar um culto. Vendo ainda por outra forma, não menos triste, congregações cheias, mas apenas em número de pessoas, porque os que trabalham espiritualmente são poucos. 

Conversando recentemente com um irmão de outra cidade a respeito deste assunto, transmiti a ele a minha preocupação com este fato. Lhe disse que acreditava ser o problema o fato de que congregamos poucas vezes por semana, já que na nossa congregação temos dias marcados para a realização dos cultos, ou seja, não existem cultos todos os dias.
 
Ele me respondeu que também havia notado isto entre os membros de sua comunidade e que não era somente os jovens que não iam à congregação durante a semana, mas que também os pais faltavam bastante.
 
Me disse ainda que imaginara ser o motivo de ter orações todos os dias, ou seja, sua conclusão foi contrária a minha.
 
Disse ainda que via as outras igrejas de outras denominações estarem sempre cheias e acreditava ser pelo fato delas terem dias marcados para a realização dos cultos.
 
Concluímos então que só poderia ser uma coisa: interesse. Colocando ainda em uma palavra mais conhecida: amor. 

Gostaria que o irmão ou a irmã, que está lendo hoje esta expressão da minha preocupação, fizesse uma autoanálise sobre o seu comportamento, da mesma maneira que eu estou fazendo sobre o meu. Compare se o seu “ritmo de trabalho” tem melhorado ou piorado nos últimos tempos.
 
Lembre-se meu irmão, minha irmã, da última vez que você teve a oportunidade de ir à congregação e não foi.
 
Tente se lembrar de quando foi a última vez que você teve o privilégio de trabalhar nas três comunicações e não trabalhou. Só recebeu o sofredor.
 
Não se esforçou para ajudar a cantar um hino na igreja. Quando a igreja ficou em silêncio aguardando alguém tirar um hino, e você não tirou.
 
Quando o presidente ficou esperando pela descida do consolador, que veio ao seu lado direito e não manifestou porque você não se levantou.
 
Pense em tudo o que você poderia ter feito pelo Senhor e pela irmandade, mas não fez.
 
Se tudo isto andou acontecendo com o irmão ou com a irmã, é sinal de esfriamento e o irmão, ou a irmã, precisa reverter o rumo que está tomando, antes seja tarde demais para você e para a Sã Doutrina. 
 
Ainda há tempo para agirmos. Precisamos apenas acordar! 
 
Redação original de 17/5/2005.   

Atualizado em ( 10-Jun-2014 )