Alimentos, Sementes ou Pedras

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19 de Fevereiro de 2019
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José Fatuch Júnior


sadoutrina.org - Biblioteca Digital - Crônicas

TRÊS SIGNIFICADOS PARA AS NOSSAS PALAVRAS


      Será que todos nós já paramos para pensar na enorme variedade de expressões e características que a PALAVRA DE DEUS assumiu desde a formação do mundo e a criação do homem? Vejamos alguns exemplos:
  • Luz para os nossos caminhos (Salmos 119.105);
  • Escudo para os que em DEUS confiam (Provérbios 30.5);
  • Fogo ou martelo destruidor (Jeremias 23.29);
  • Alimento espiritual (Mateus 4.4).
  • Fonte eterna de regeneração (I Pedro 1.23)
      E quanto a Jesus Cristo? Ele também utilizou intensamente as suas palavras para realizar a sua grandiosa obra; apregoar a sua doutrina, praticar misericórdia e proporcionar várias curas e milagres. Aliás, segundo João (21.25), se cada uma das coisas que Jesus fez fosse escrita, os livros não caberiam no mundo.
      Dentre as muitas maravilhas produzidas por Jesus Cristo por meio de SUA PALAVRA, selecionamos algumas emblemáticas, descritas por Mateus:
  • O Sermão da Montanha (Mateus 5 a 7);
  • Realização de milagres e curas (Mateus 8);
  • Ensinamentos em parábolas (Mateus 13);
  • Estímulo ao perdão (Mateus 18)
      Melhor do que ninguém, ele sabia escolher cada termo a ser proferido perante seus seguidores e, mesmo tendo autoridade moral para reagir com dureza a certas pessoas ou públicos, não o fez, a exemplo da passagem da mulher adúltera, que foi descrita em João 8.1-11.

       E a nossa comunicação, verbal ou escrita, como está?

      Tudo bem! Poderíamos dizer que não devemos nos comparar a Jesus (e muito menos a Deus), mas por ele fomos exortados a ser perfeitos, como Deus, que está nos céus, é perfeito (Mateus 5.48). Da mesma forma, Paulo nos exortou a ser imitadores de Deus, como filhos amados (Efésios 5.1).

      Portanto, cabe a nós aprimorar a nossa comunicação, a fim de atender a Jesus Cristo em tudo aquilo que ele espera de nós, porque ele mesmo disse que “de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo” e por elas seremos justificados ou condenados (Mateus 12.36-37). 

     A seguir analisaremos três opções que se destacam dentre as múltiplas possibilidades de uso das nossas palavras.
     
1- PALAVRAS ARREMESSADAS COMO SE FOSSEM PEDRAS

     Devemos tomar muito cuidado com a escolha das palavras e a maneira como as proferimos, pois corremos o risco de arremessá-las como se fossem pedras e então assustar, afastar ou até machucar algumas pessoas, que podem ser nossos familiares, irmãos em Cristo, amigos ou companheiros de trabalho ou estudo.

      Tiago (3.5-8) escreveu que a língua é um pequeno membro do corpo humano, mas pode causar grandes males, se for acionada indevidamente. Ele a comparou a um pequeno fogo, que pode incendiar toda uma mata, em caso de imprudência.

      E quando falamos em língua estamos nos referindo tanto à expressão oral como à expressão escrita. Tanto presencial, quanto à distância. Sendo assim, poderíamos nos perguntar:

      Temos sido prudentes em nossas diversas formas de expressão?

      Por exemplo, quando insistimos em discussões inúteis, que só servem para cansar ou irritar os interlocutores podemos criar uma situação prejudicial para ambas as partes e também para as pessoas mais próximas (2 Timóteo 2.14).

      Atualmente, vários temas polêmicos têm provocado a manifestação das pessoas em grupos de comunicação por meios eletrônicos e nas chamadas redes sociais, com forte crescimento do nível de participação CONTENCIOSA.

      Aliás, com a velocidade turbinada pela tecnologia, a nossa comunicação acaba fluindo com um agravante: em alguns meios eletrônicos não há o tom de voz para moderar alguma eventual aspereza. Quer um exemplo?

      Imagine que você se dirija a uma pessoa conhecida com alguma brincadeira ou alguma advertência. Pelo seu tom de voz ela já perceberia qual a sua intenção, mas a sua expressão escrita poderia gerar um sério mal-entendido.

      E tem mais: as pessoas parecem não querer mais ler, ouvir ou assistir, mas, sim, escrever, falar ou apresentar. O conteúdo de Provérbios 18.2 é incisivo:

      “O insensato não gosta da inteligência, mas de publicar o que pensa.”

      Talvez devêssemos seguir uma sequência mais razoável de etapas para elevar a qualidade de nossa comunicação e expressão e sempre usando “linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tito 2.8), a saber:

      1) ler mais para escrever melhor;
      2) ler e ouvir mais para falar melhor (Tiago 1.19);
      3) ler, ouvir e assistir mais para apresentar melhor.

2- PALAVRAS LANÇADAS COMO SE FOSSEM SEMENTES

      Por outro lado, poderíamos realizar esforços em relação ao uso das nossas palavras, lançando-as ou espalhando-as como se fossem sementes, para que, caindo em solo fértil, pudessem produzir bons frutos (Mateus 13.3-8).

      Dessa maneira, a produção (ou não) de frutos dependeria do solo (ou do coração) onde elas fossem lançadas, conforme explicou Jesus (Mateus 13.18-23).

      Todos nós mantemos relações (próximas ou distantes) com alguém que ainda não conheceu ou só tomou conhecimento inicial e ainda demonstra dúvidas sobre a Doutrina de Cristo. Expressões de apoio e esclarecimento, escolhidas adequadamente, seriam muito proveitosas para a sensibilização e posterior conversão dessas pessoas.

      Sabe aquele efeito maligno que se costuma atribuir às inovações tecnológicas, especialmente quanto à informação e à comunicação?

      Porque não falar da parte boa dessas tecnologias, que permitiu melhor divulgação das palavras de DEUS aos mais diversos públicos?

      Nos grupos de convívio de que participamos (família, escola, trabalho, igreja ou lazer) os nossos bons exemplos sempre serão melhores do que muitas palavras, mas estas poderão se fazer necessárias em vários momentos e então deveremos estar preparados para distribuí-las com sabedoria.

      Contudo, é bom lembrar que o nosso conhecimento precisa basear-se em conteúdos confiáveis, sejam eles religiosos, culturais ou científicos, para que não haja propagação de textos enganosos, mesmo que sem más intenções.

      Algumas importantes orientações do Apóstolo Paulo foram no sentido de serem evitadas as discussões inúteis (2 Tim 2.14), “repelidas as questões insensatas e não educativas” e demonstradas “mansidão nas conversas e competência no ensino”, “educando com suavidade os opositores” (2 Tim 2.23-26).

       Contudo, Paulo também nos alertou para os perigos da atualidade, dizendo que nos últimos dias “haveria momentos difíceis”, em que os homens apresentariam toda sorte de más ações e posturas (2 Tim 3.1-4).

Vamos investir melhor o tempo que dedicamos à interação com as pessoas?     
Vamos aproveitar melhor o grande alcance atual das comunicações?

      Como atingir esses objetivos? Evitando utilizar comunicação agressiva ao nos manifestarmos em algum dos vários grupos de interação de que participamos. Melhor do que isso, procurando imitar Jesus Cristo e aproveitando todas as ocasiões para, com brandura, arrebanhar mais adeptos para a Doutrina Cristã.

3- PALAVRAS DISTRIBUÍDAS COMO SE FOSSEM UM ALIMENTO

      Finalmente, ainda poderíamos servir palavras como se fossem um alimento espiritual e, a partir daí, proporcionar a satisfação de todos que as receberem.  É isso que, de nossa parte, esperam aqueles que nos confiam a oportunidade de expressão diante de um público cristão. Lembrando que:

      Não somos doutrinadores, mas sim propagadores da Doutrina de Cristo, pois ela já foi apresentada pelo próprio Jesus por ocasião da sua vinda ao mundo. 

      Assim, podemos (e devemos) trazer os ensinos cristãos para os tempos atuais, mas sempre tomando o cuidado de preservar a sua essência, lembrando que o que era correto ontem permanece assim até hoje, bem como o que era errado ontem também permanece errado nos dias de hoje. 

      A propósito, Jesus disse que “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Marcos 13.30).

      Vamos, então, reapresentar os ensinamentos de Cristo às pessoas que já tomaram conhecimento deles, mas ainda não estão conseguindo colocá-los em prática, como forma de incentivá-las a permanecer no caminho da salvação ou estimulá-las a retomar o caminho, caso dele tenham se afastado.

      Será que estamos aproveitando os benefícios da adiantada tecnologia que hoje se encontra à nossa disposição, fazendo com que uma boa comunicação percorra com incrível velocidade as mais longas distâncias?

      Ou será que estamos permitindo que uma comunicação de má qualidade faça o mesmo percurso, às vezes até mais rápido?

     Estas perguntas devem ser respondidas individualmente, pois cada um de nós é dono de suas palavras, graças ao direito de livre arbítrio, ou seja, nós mesmos podemos decidir o que fazer, assumindo as consequências por estas decisões.

      Afinal, todas as tecnologias têm uma característica em comum: a possibilidade de serem utilizadas para o bem ou para o mal, cabendo às pessoas que as utilizam a decisão de optar por um ou por outro caminho.

      Sabendo-se disso, melhor direcionar os nossos esforços para o bem, seguindo o conselho de Paulo a Timóteo: “fazendo súplicas por todos os homens, pelos reis e pelos que detêm a autoridade” (1 Tim 2.1-2).

      Ou ainda, promovendo os frutos do Espírito (Gálatas 5.22), mencionados pelo Apóstolo Paulo em contraponto às obras da carne, entre eles: amor, alegria, paz, bondade, benignidade, mansidão e temperança. Tudo isso pode ser distribuído por meio de nossas palavras, quando utilizadas com sabedoria.