Escolhas Morais

Escrito por Jaqueline Borges de Queiroz

E-mail do autor: jaquelineb820@gmail.com

6 de Janeiro de 2018


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Sobre nossas escolhas morais


Quantas vezes você sentiu vontade de fazer algo e não fez porque não era o certo? Quantas vezes você não fez porque seria punido?
Em diversas situações de nossa vida lidamos com regras. Em casa, na escola e em todos os ambientes sociais que frequentamos. Desde crianças, aprendemos a ouvir vários “nãos”. Ficamos chateados, emburrados, inconformados. Mas algumas coisas mudam quando nos tornamos adolescentes.

Nossos pais já não conseguem ter controle sobre nós durante a maior parte do tempo, e então descobrimos algo que crianças muito pequenas não sabem: é possível burlar regras sem sermos punidos por autoridades como mãe, pai, professor – basta que eles não descubram. Já adultos, abandonamos completamente algumas regras e passamos a seguir outras. Mas será que as pessoas acatam leis, mandamentos e regras em geral pelos mesmos motivos?

De acordo com a psicologia moral, um campo de estudo que investiga nosso comportamento, é aproximadamente a partir dos 3 anos e meio que as crianças começam a ter consciência de que existe um conjunto de regras a ser seguidas, desenvolvendo, assim, sua moralidade. Nesse período, tais regras vêm de fontes externas (pais, professores etc.), não de sua própria consciência.

É a fase de heteronomia, estado em que só se cumpre normas por medo de repreensões e castigos. Com o crescimento e desenvolvimento da nossa inteligência, percebemos que a moral implica em escolhas, ou seja, conseguimos raciocinar melhor em relação às alternativas que temos e consequências de nossas ações. Criamos então, nossos próprios valores, e passamos a nos submeter às regras sociais de forma mais consciente. Trata-se do estado de autonomia.

Contudo, você deve ter se lembrado, ao ler a segunda pergunta feita no início do texto, de situações em que alguém próximo ou mesmo você tenha decidido não fazer algo por medo de ser punido. Isso porque, nos jovens e adultos, a moral autônoma não suplanta totalmente a heterônoma, elas convivem. 

Na verdade, o que se tem é uma espécie de primazia de uma ou de outra em cada um de nós, ou seja, alguns são mais autônomos e outros mais heterônomos. Por exemplo: ao aprender a dirigir, entramos em contato com as leis de trânsito. Sabemos que é proibido cruzar o sinal vermelho ou dirigir acima dos limites de velocidade, pois haverá consequências. Assim, a maioria das pessoas não descumpre essas leis. Mas os motivos são diferentes...

Para pessoas mais heterônomas, haverá consequências se a infração for descoberta (multa, pontos na carteira, prisão), isto é, o problema é a penalização decorrente da descoberta da infração. Se souberem, então, que não há radar ou outro tipo de fiscalização na área, provavelmente irão desrespeitar a lei.

Já para uma pessoa em que a autonomia prevalece, quebrar leis de trânsito é moralmente inaceitável, pois nela o sentimento de obrigação para com as normas é interno. Ela sabe que leis precisam ser respeitadas e foram criadas por razões específicas: independentemente de qualquer punição, cruzar um sinal vermelho pode colocar vidas em risco.

Portanto, pessoas mais autônomas agem de acordo com seus valores e não de forma circunstancial, enquanto pessoas mais heterônomas modificam seu comportamento moral em diferentes contextos, a depender de ordens de autoridades ou do agir da comunidade a que pertencem, burlando regras e passando por cima de valores quando sabem que não serão punidas ou descobertas. Ao pensar em suas ações mais recentes, com qual desses dois perfis você se identifica mais? Qual deles traz mais benefícios para a sociedade?

É sempre importante ressaltar, claro, que todos têm seus valores, e ninguém é completamente autônomo ou heterônomo. Mesmo assim, é essencial refletirmos sobre nossas ações e sobre o porquê de algumas de nossas escolhas, para que assim desenvolvamos uma consciência crítica da moral na qual estamos inseridos.
 

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