III- Entre Líderes e Liderados

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15 de Maio de 2020
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José Fatuch Júnior


sadoutrina.org - Biblioteca Digital - Trabalhos

Neste texto discutiremos a relação entre líderes e liderados, particularmente no ambiente religioso cristão. São muitas as atribuições das pessoas designadas para algum cargo religioso, não somente em atividades clericais típicas, mas também na área administrativa. Quando o acúmulo de ocupações começa a prejudicar o desempenho do responsável por determinada área, ele poderá (e deverá) recorrer ao auxílio de outras pessoas (preferencialmente qualificadas) para executar as tarefas que possam ser distribuídas.

Um bom exemplo disso pode ser encontrado no livro de Êxodo (cap. 18), em que se perceberam as primeiras ações no sentido de delegar poderes entre os judeus. Em visita ao seu genro, o sogro de Moisés (Jetro) percebeu que ele ficava até um dia inteiro à disposição do povo para julgar as suas demandas e os próprios interessados também precisavam ficar horas à espera de atendimento.

Mesmo não sendo hebreu, Jetro aconselhou Moisés, orientando-o a distribuir parte de seus afazeres para pessoas de sua confiança, escolhidas entre as mais capacitadas do povo. Assim, foram nomeados chefes de 10, de 50, de 100 e até de mil pessoas, para que, conforme as suas alçadas, resolvessem as questões de menor complexidade, restando para Moisés apenas as demandas com maior grau de dificuldade para obtenção de solução.
     
Observamos, nesta passagem, que o aconselhamento proveio de uma pessoa confiável, mas externa à comunidade hebraica. Moisés mostrou-se receptivo às melhorias sugeridas por seu sogro e isso acabou por facilitar a administração do povo. E nós, estamos abertos a sugestões que possam trazer evolução para as nossas atividades em geral, desde que respeitados os princípios Cristãos?

Mais uma lição a ser aprendida é que a delegação de poderes tem duas regras básicas, que são: primeiramente deve haver confiança nas pessoas delegadas, de forma a dispensar a presença ou a atuação ostensiva do líder principal, embora este continue a deter a responsabilidade pelo resultado dos atos; em segundo lugar precisa-se aceitar que os resultados sejam obtidos através de decisões e ações que não sejam exatamente iguais ou mesmo semelhantes àquelas que seriam adotadas pelo detentor do poder delegado, desde que enquadradas entre as recomendações mais indicadas para a situação.

Imaginem se Moisés passasse a conferir e a remendar todas as considerações ou decisões tomadas pelos seus prepostos? Estes ficariam desautorizados diante do povo e todo o tempo em que trabalhassem seria perdido. Isso não quer dizer que se deve abandonar o acompanhamento, mas sim que o funcionamento da política pode ser aperfeiçoado só com as observações julgadas indispensáveis e não através de intervenções constantes e diretas da liderança principal.

Destacamos, porém, que a escolha deve recair sobre pessoas capacitadas para o desempenho de missões comunitárias tão relevantes e não considerando só a confiabilidade ou a proximidade com aquelas ou aqueles dispostos a colaborar.
     
E quanto aos mais jovens? Há duas questões de extrema importância a serem analisadas: A primeira é saber se estamos preparados para transferir aos mais jovens as tarefas que, durante anos, estiveram a nosso cargo, permanecendo em posição de aconselhamento e, não mais, de direção. A segunda é saber se os jovens estão sendo preparados para assumir essas tarefas, sem deixar de observar os aconselhamentos dos mais velhos. Sempre haverá dúvidas quanto a isso e uma parte tende a culpar a outra nesse processo. Vamos lembrar o que disse Paulo a Timóteo:
 
    “Que ninguém despreze atua jovem idade. Quanto a ti, sê para os fiéis modelo na palavra, na conduta, na caridade, na fé, na pureza.” (I Timóteo 4.12)

Outra virtude frequentemente observada nas boas lideranças é que jamais se tira a esperança de qualquer membro do grupo que esteja buscando caminhos corretos. Se nem Jesus, diante dos mais variados casos com que se deparou agiu de forma a condenar as pessoas, quem somos nós para fazê-lo?

Em um exemplo emblemático, que merece ser encarado como um alerta a cada um de nós, as cartas às Igrejas da Ásia seguem padrões bastante utilizados pelas melhores lideranças atuais, a saber:
   
  - Iniciam-se destacando o tipo de comportamento demonstrado pela igreja e considerando-o correto ou não, de acordo com as orientações transmitidas nos evangelhos,
   
  - depois apresentam elogios ou repreensões aos responsáveis, conforme o caso,
 
    - e por fim incentivam os destinatários a buscar o cumprimento da lei do amor, prometendo as maravilhas ali descritas a quem se dispuser a seguir as recomendações prescritas.

Pode-se observar que foram disponibilizadas, em todas as cartas, oportunidades de arrependimento para os infratores.

Na verdade, o Senhor Jesus foi o maior exemplo de boa liderança de todos os tempos, mesmo sem qualquer designação formal, sendo até hoje citado por muitos escritores que tratam do tema. Outra reflexão sobre os métodos de evangelização de Jesus é que ele lançava mão de exemplos relacionados com as principais atividades da época, como a agricultura, a pesca e a pecuária, sendo que atualmente se sobrepõem situações vinculadas a áreas mais atuais, como a administração, a empresarial, a escolar e a profissional, entre outras.

Com a adoção das atitudes e posturas acima descritas, todos os membros de uma comunidade se beneficiam de bons frutos como superação de desafios, melhoria de rendimentos, paz e harmonia, aprendizado e crescimento dos participantes convocados para auxiliar os líderes. Porém, tudo isso exige uma contrapartida dos liderados, membros ou seguidores do agrupamento, motivo pelo qual trataremos do tema em texto especialmente voltado para os liderados cristãos, ocasião em que analisaremos possíveis ações positivas e negativas por parte do pessoal comandado.

 

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