I- Desafios Para Líderes Cristãos

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01 de Maio de 2020
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José Fatuch Júnior


sadoutrina.org - Biblioteca Digital - Trabalhos

– Introdução


Nos tempos pós-modernos, especialmente nas sociedades em que algumas ou boa parte das instituições ainda não têm a liberdade ou mesmo o interesse de operar em ambientes de plenitude democrática, parece estar em curso uma degradação moral das lideranças, capaz de atingir vários segmentos da sociedade, em prejuízo à justiça, à igualdade, à fraternidade e a outros valores.

Tudo isso, contudo, não deve ser novidade para os cristãos conhecedores das palavras dirigidas por Paulo a seu discípulo Timóteo (II Timóteo 3.1-5), onde já se previa a incidência de muitos desvios éticos no comportamento dos homens. Quando pessoas inescrupulosas assumem posições de liderança, então, a degeneração de costumes tende a se espalhar, devido aos seus elevados poderes de persuasão e aos seus maus exemplos, que muitos são influenciados a seguir.

Fizemos essa rápida introdução porque todos nós somos, ou seremos levados a ser, condutores de uma ou mais pessoas (e, portanto, líderes), ao menos em algumas ocasiões ou circunstâncias de nossas vidas e isso poderá ocorrer nos ambientes profissionais, escolares, religiosos, políticos, familiares etc.
Aliás, em qualquer tipo de ajuntamento humano se faz necessário que despontem indivíduos com a disposição (que é indispensável) e a capacidade (que não é indispensável, mas é desejável) para orientar e guiar o grupo na busca de objetivos supostamente comuns.

Por que dizemos “supostamente”? Porque costumam surgir os mais variados problemas nas relações entre as pessoas envolvidas (líderes x líderes e líderes x liderados), dentre os quais podemos destacar o seguinte: Nem sempre as intenções e objetivos dos líderes são escancarados e semelhantes aos de seus seguidores, que podem ser até iludidos em suas pretensões.
     
Explicando melhor, queremos dizer que algumas lideranças podem manter oculta parte de suas reais intenções, divulgando apenas aquelas que parecerem apropriadas aos interesses de seus comandados e da sociedade em geral, mas queremos crer que isso não ocorre nos meios cristãos.
     
Antes de ampliar a discussão sobre essas relações, procuraremos entender melhor o contexto das lideranças. De um modo geral, as lideranças podem ser:
 
  - Impostas, por determinações legais, no caso de autoridades ou por atos de nomeação, quando se tratar de chefes e gerentes de empresas públicas ou privadas, por exemplo;
 
  - Eleitas, quando escolhidas pelo povo, por meio de votações, como é o caso dos representantes da classe política;
 
  - Designadas, mediante algum critério previamente estabelecido, como ocorre em instituições religiosas.

Ressalte-se, porém, que nem todas as lideranças de uma comunidade são investidas de poderes formais. Muitos desses condutores são emergentes, ou seja, guias naturais de grupos informais, sem, por isso, demonstrar menor capacidade de liderança. Podem ser considerados líderes de fato e não de direito.

Por outro lado, qualquer dos ocupantes de posições de liderança, ainda que elas sejam revestidas de várias formalidades, terá dificuldades para obter sucesso em seus propósitos, caso não consiga atuar como legítimo líder junto aos grupos que representam, pois dependerá da força dos cargos para impor a sua vontade, o que não garante a geração de resultados satisfatórios.
 

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