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Bem e Mal - A Consciência e o Perdão

18 de Julho de 2016


Escrito por Edgar Silva de Macedo - edgar_biologia@yahoo.com.br 
04-Feb-2011
sadoutrina.org - Biblioteca Digital - Crônicas
 
O caminho percorrido pelos homens é revelador, quantas inúmeras são as vezes em que nos surpreendemos com nós mesmos, com atitudes que pensávamos não sermos capazes de ter, mas que num instante tomamos determinada decisão e geramos uma ação com fins não esperados.

Desse momento em diante é natural que um sentimento nos invada, à medida que a nossa consciência nos impele a refletir sobre o ato errôneo. Nesse instante a providencia do perdão parece ser a única forma de estancar o rio de arrependimento que transborda dentro de nós. O que nos move ao arrependimento é a consciência em seu sentido moral, isto é, como capacidade do homem de avaliar interiormente o que há de bom ou mau em suas ações.

O sentido de “consciência” não é o mesmo que o de “lei”. A lei sempre expressa as normas gerais de conduta. A consciência, ao contrario, é a luz concreta que ilumina o homem em seu “aqui e agora” sobre o que há de bom ou de mau em uma ação. Costuma acompanhar-se de uma deliberação, através da qual se estabelece um imperativo: “faça isto” ou “não o faça”.

Também se entende por “consciência” o ditame posterior à ação, que aprova o fato com complacência interior ou o reprova com intranqüilidade e tristeza. A consciência reveste-se de uma importância fundamental para toda a vida moral e para o livre desenvolvimento do homem até o seu fim. A consciência possui uma dimensão inata, à medida que a luz da razão tende a apontar as normas da ação, e impele-nos para o bem e afasta-nos do mal.

Perdoar vem do latim per + dorare, cujo significado é dar plenamente. Portanto, se houver algum sinônimo para perdoar, somente poderá ser amar. O dar plenamente refere-se a permitir que aquele que errou, tente outra vez e tenha a oportunidade de poder tomar uma atitude de valor. Essa situação de erro, obviamente jamais será esquecida, e aquele que diz: “perdôo, mas não esqueço”, não perdoou, faltou algo, não foi pleno.

Portanto, tão logo buscamos tomar as rédeas de nossas vidas carregamos conosco nossas responsabilidades pelos atos que praticamos. Ironicamente, o precioso de um pedido de perdão não está na expiação dos nossos erros, mas no reconhecimento do que temos de pior. Parece duro falar dessa forma; mas é uma consciência importante de se ter na vida. Pedir desculpas é parte de um caminho de autoconhecimento. É de saber que do mal que somos capazes que nasce a vontade de melhorar, a humildade de conviver com nossas imperfeições, a honestidade de assumi-las. Pode não resolver nada. Mas nos ensina muito.

É nessa dualidade de poder fazer o bem ou o mal, de forma deliberada ou casualmente que se estabelecem as relações humanas. Não poderemos ser sempre corretos e nem errados, não sabemos se estamos agindo bem com nossos irmãos ou se estamos desagradando. O certo é que somos imperfeitos e são justamente essas imperfeições que faz de nós o que de fato somos, com nossas personalidades, humor, temperamento e entre virtudes e hábitos perniciosos somos irremediavelmente únicos.

A temeridade em Deus produz em nós o sentimento de arrependimento. De sabermos que precisamos ser perdoados por Deus e que é imprescindível perdoar nossos semelhantes como um requisito extremamente importante na busca por uma vida que não tem preço.

Assim, ao querer libertar o homem do mal, como ato livre e responsável, ao mesmo tempo também se está retirando dele a possibilidade do bem e da virtude. Se o homem não é livre e responsável para o mal, também não o será para o bem. Em virtude dessa defesa condescendente, reduz-se o homem a sujeito passivo na vida e rouba-se sua grandeza suprema, que é a liberdade e a responsabilidade de construir sua própria vida, optando pelo bem ou pelo mal.

Alguém disse que para ser feliz é necessário promover cinco perdões; perdoar-se, perdoar seu pai, perdoar sua mãe, perdoar o outro e perdoar o mundo. Essa frase tem muito fundamento, e se relembrarmos o que Pedro indagou a Jesus sobre quantas vezes deveria perdoar o pecado de seu irmão, o que disse se até sete vezes; porem Jesus lhe respondendo disse que não sete – mas setenta vezes sete. Nosso senhor Jeová é pronto em perdoar, misericordioso, grande em benevolência e tardio em se irar.

Nada é tão bom que não possa melhorar como nada esta tão ruim que não possa piorar. Por isso toda situação esta passível de mudança, nenhuma situação é comum, todo dia é único e não voltará. Nossas ações também são únicas no “aqui e agora”, então merecem nossa reflexão. Amar é a chave do sucesso, não tem muito segredo, basta nos dispormos, sermos solícitos, sermos conscientes do bem e do mal que somos capazes, ou melhor, livres para promover.

Desejo sincera e profundamente que o AMOR e tão somente ele, guie nossos caminhos e nossas atitudes na realização do BEM.
Deus abençoe a todos, Amém.

Edgar Silva de Macedo
Campinas, 04 de Fevereiro de 2011.

Atualizado em ( 24-Nov-2015 )