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Sobre Ulysses Melges

18 de Julho de 2016


Escrito por Walmir da Rocha Melges - walmir.melges@gmail.com
24-Sep-2015
sadoutrina.org - Biblioteca Digital - As Colunas do Senhor
 
Ulysses Melges em 1947, logo após ser batizado como crente espiritual
 
Introdução
Papai (Ulysses Melges) sempre nos encantou com as histórias da sua vida; sobre as suas peripécias para conhecer o maior número de parentes que permitiu ilustrar a genealogia da Família Melges; sobre a sua infância desventurada e sofrida, em um pequeno sítio no Bairro do Gavanhery em Getulina – do qual restam apenas algumas fotos antigas – em uma família composta de irmãos e vários tios, onde todos labutavam de sol à sol para sobreviver com uns poucos pés de café – até que veio a crise do café na década de 30 e levou os pequenos agricultores à bancarrota – inclusive meu avô Ignácio, que acabou falecendo logo a seguir, deixando uma grande família sob os cuidados de uma segunda esposa, com dois novos filhos; e uma dívida tão grande que, ao ser liquidada no inventário, acabou consumindo o valor da terra cultivada; nada restando para a família; que em apenas alguns anos foi desfalcada da mãe, do pai, e da residência; ficando logo dividida; pois os mais velhos foram procurando, por sua vez, um novo lugar ao sol; em cidades diferentes.

Da morte da mãe; levada para um hospital em Lins, de onde não mais retornou; lembrava-se que quando chegaram no sítio em Getulina para informar do seu falecimento, meu pai já sabia do acontecido, pois havia pressentido a sua morte; como também lembrava-se dos dias difíceis que se seguiram, pois o pai; chefe de uma grande prole, passado algum tempo, decidiu casar-se com sua cunhada; seguindo então uma difícil convivência dos seus filhos, com a madrasta e a perda final; quando ela pegou seus dois filhos – meios irmãos de meu pai; e mudou-se com seus parentes para algum local, que somente anos mais tarde ficamos sabendo ser Presidente Bernardes.

Tudo isto e os anos difíceis que vieram a seguir não foram suficientes para transformá-lo em uma pessoa amarga e de mal com a vida; mas sim, serviram para moldar sua vida em bondade e o incentivou a auxiliar o próximo, como o fez, com parentes, irmãos, conhecidos, e desconhecidos; e então eu e minha irmã tivemos um pai que se revelou um verdadeiro paradoxo, pois ao lado do homem forte, firme, exigente, bravo; tínhamos um pai que em todos nossos momentos de doenças de criança, nos trazia no final da tarde, água Prata mineral gaseificada, peras, maçãs, e nos dizia que aquilo era comida de doentes; premiando-nos a noite com histórias, conversas, e orientações.

Mas as histórias que mais o cativaram e às quais dedicou mais de 50 anos de sua vida foram aquelas registradas na Bíblia Sagrada; na qual se refugiou até o final da sua vida material; após converter-se; quando ainda solteiro e já residente em Lins; por volta de 1946; trabalhando em um açougue que havia sido arrumado para ele pelo nosso primo Álvaro Melges – o qual, como primeiro apascentador de Lins; o ensinou não somente a profissão material, mas também a profissão da fé espiritual.

Sobre nossa Doutrina, papai nos contava que o primo Álvaro (primeiro apascentador de Lins) – com o qual tivemos a oportunidade de conviver por muito tempo, e também aprender com ele; recebeu um dia em sua casa a visita de um tio dele, da Família Prado, que residia em uma fazenda em Garça; onde tinha uma congregação muito firme; o qual ao ver que o sobrinho passava por um longo período de tribulações e doença; o convidou para passar uns dias em Garça; de onde Álvaro retornou; já convertido; e decidido a constituir uma congregação para Lins; o que foi cumprido e realizado em pouco tempo; convertendo muitas pessoas – inclusive meus pais; e formando uma congregação muito firme, de uma doutrina que era conhecida, naquela época, em nossa região, como Crente Espiritual.
 
Assim, papai se converteu e foi batizado na doutrina, por volta de 1946; na qual professou sua Fé em Deus e aceitou o Nosso Senhor Jesus Cristo como seu salvador – e o nosso também. Seu casamento foi realizado na doutrina (25.12.1948), na qual fomos (os filhos) batizados na medida do nosso nascimento (Walmir 19.06.1949 – Edith 11.06.1954); na religião conhecida como Crente Espiritual; e somente após sua passagem, e da minha mãe, é que fui descobrir que a nossa Doutrina havia adotado o nome de Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia, e que havia sido conhecida como Crente Israelita e ainda outros nomes.
 
Atualizado em ( 24-Sep-2015 )