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Declaração de um Reencontro

11 de Junho de 2009
walmir.melges@gmail.com
Walmir da Rocha Melges


www.sadoutrina.org -Notícias
Sempre fui uma pessoa de declarações. Quando criança já declarava aos garotos e garotas, se eu tinha ou não alguma amizade para com eles. Aprendi que é fácil declarar que gosta, e que em muitos casos é amargo declarar que não gosta. Mas acima de tudo, aprendi que devemos sempre ser quentes ou frios, que não devemos ser mornos, o que significa que devemos ter opinião própria e expressá-la, e que nunca devemos ficar em cima do muro.
 
 
Quando meus olhos leram a declaração do Apóstolo sobre ser quente ou frio e que devemos abominar ser morno, foram meus ouvidos que apreciaram e meu coração quem ficou contente por ver que o comportamento estava correto.
 
 
Na escola declarava aos professores que queria aprender e que gostaria de ensinar.
 
 
Na minha profissão – contador – fazia sempre minhas declarações – dezenas delas – dos mais variados tipos, minhas e dos meus clientes, prestando contas ao César do momento e do local aquilo que por lei deveria ser informado.
 
 
Aos parentes e aos amigos sempre deixei claras minhas declarações de satisfação ou insatisfação, de amor ou de amizade.
 
 
E assim, hoje faço contente uma nova declaração de contentamento.
 
 
Da mesma forma, sempre temos nossas datas comemorativas especiais, seja pela formação escolar, pela repetição de mais um ano de namoro, de noivado, de casamento, de nascimento dos filhos, de permanência no trabalho material, ou outra forma de registrarmos o progresso, a repetição de mais um ano vencido dentro de uma determinada situação.
 
 
Batizado na nossa doutrina que fui logo ao nascer, não sei precisar qual é então esta data que eu poderia comemorar, mas como completo no próximo mês meus 60 anos, e sei que fui batizado com poucos meses de idade, posso ficar contente por estar completando ainda neste ano de 2009, os meus 60 anos de doutrina.
 
 
Certamente nem sempre sabemos tudo nesta vida, muito embora eu tenha a percepção de que sempre sabemos tudo que é necessário para cada momento, mas como Paulo já disse, existem coisas que somente vamos saber quando chegar a hora exata, quando saberemos, com contentamento ou desespero, como somos conhecidos por Aquele que nos criou.
 
 
Neste sentido, passamos – família Rocha Melges – composta por meus pais Ulysses e Odete, minha irmã Edith e eu – bem como outros irmãos de nossa cidade – Lins – a vida toda sabendo que éramos pertencentes á uma religião conhecida como Crente Espiritual, que existia em poucas cidades, e que em Rio Claro tinha tantos membros que havia sido obrigada a construir uma igreja material para abrigá-los. Eu até que fiz uma tentativa há cerca de 7 anos, visitando cerca de 30 igrejas evangélicas em Rio Claro, mas não consegui descobrir nenhum irmão de doutrina, e um dia fiquei sabendo qual a razão de não ter encontrado: Eu procurava por crentes espirituais, os quais já haviam adotado uma nova denominação que é a Sã Doutrina.
 
 
Desta forma, meus pais – hoje já espíritos santos – terminaram seus dias nesta terra sem saber da mudança de denominação, e da mesma forma, todos os antigos da nossa congregação em Lins.
 
 
Foi nosso primo Álvaro Melges quem trouxe a doutrina para Lins. Por volta de 1943 ele estava passando por problemas de saúde, quando recebeu a visita de um tio por parte de sua mãe, vindo de Garça e pertencente á família Prado, o qual vendo as dificuldades do sobrinho o convidou para passar uns dias lá em Garça. Como Álvaro já tinha desistido dos médicos que não descobriam o que ele tinha, aceitou o convite e ficou lá algumas semanas em Garça na propriedade rural do seu tio, quando então ficou conhecendo a doutrina que prontamente absorveu e trouxe os conhecimentos para Lins onde converteu muitas pessoas, inclusive meu pai – ainda solteiro – e minha mãe quando ela veio de São Paulo para Lins para se casar.
 
 
Terminando o tempo de vida material de Álvaro e já perto do seu fim ele determinou que meu pai (Ulysses) – que já era um dos diáconos que presidia os santos trabalhos – realizasse o último trabalho em sua residência logo depois do seu sepultamento e levasse os trabalhos para a sua residência, onde permaneceu até o final dos seus dias (Ulysses).
 
 
Influenciado pela vida moderna, pelas dificuldades de tempo inerentes à minha profissão e por contínuas viagens atendendo clientes de outros locais, fiquei longe da doutrina por muito tempo; mas sem se desviar dela para nenhuma outra crença, e foi na doutrina que me casei e batizei meus filhos; e os tempos foram passando, os dias vencendo as noites e sendo vencidos por elas, até que meu pai terminou sua missão terrena e minha mãe terminou a sua pouco mais de um ano após, e assim, no dia do seu velório recebemos a visita de muitos parentes, dentre eles uma prima que foi batizada na doutrina mas que converteu-se ao protestantismo quando ficou moça, e esta prima informou minha mulher que havia conhecido algumas pessoas que participavam, na Vila Simões, do que ela – prima – chamava de antiga doutrina.
 
 
Com os problemas do dia, minha esposa somente me contou isto no final da noite e então eu me decidi conversar com a prima para ver quem eram estas pessoas; mas com as seguidas viagens dela pela doutrina que abraçou, acabei demorando cerca de 2 meses para conversar com ela, quando então no dia 26 de maio de 2004 fiquei sabendo como localizar a irmandade de Simões; o que me permitiu chegar naquela seara às 18:45 em uma escura e friorenta noite do dia 28 de maio de 2004, quando encontrei pessoas e acontecimentos que modificaram radicalmente minha vida.
 
 
Depois de alguma procura, bati a porta de uma residência quando fui atendido – no escuro – por uma assustada mulher – Madalena Melo – a Madá como é conhecida, que me ouviu dizer que eu procurava uma família que eu não conhecia, e que aquela família participava de uma religião que se chamava crente espiritual. Desconfiada a Madá fez algumas perguntas sobre a doutrina e foi desfazendo a sua feição de preocupação, e então me perguntou se na minha religião nós tínhamos cânticos, quando respondi que sim e ela perguntou se nós cantávamos a Mãe Bondosa; e ao ouvir minha resposta, seu rosto abriu-se em um grande sorrido – que nunca vou esquecer – mostrando seus dentes brancos e dizendo: Esta conversa está começando a ficar interessante. Entre aqui dentro que aí fora está muito frio.
 
 
Esta foi então a porta de retorno à um lugar que há muito procurava, e a seguir fui convidado a participar dos santos trabalhos onde a única coisa que me lembro é que chorei muito, de alegria, de reconhecimento, de contentamento; e então tendo ficado por mais um pequeno tempo depois do culto, fiquei sabendo da nova denominação, dos locais da nossa região onde existiam irmãos e congregações, os nomes e telefones de alguns, e para meu maior contentamento, da existência de 3 irmãs em Lins, que reuniam-se periodicamente.
 
 
É claro que logo na sexta feira fui conhecer as irmãs, chegando então à casa da irmã Lina, depois da irmã Madalena e irmã Izabel, conhecendo também o filho desta, José Roberto, que ainda não era batizado, mas que assistia os trabalhos sempre que podia.
 
 
Na mesma semana no sábado bati a porta do João Izidoro onde encontrei um contentamento e alegria que eu não sabia que podia existir. Gostei tanto daquela congregação que hoje, já sendo o apascentador do pequeno rebanho de Lins, me considero e assim sou considerado por eles como membro daquela congregação, onde recebi o dom de pregação e aos poucos desenvolvi a faculdade da presidência, sempre auxiliado por eles, principalmente pelo irmão Oliveira Mariano que chegou naquela província para lá residir pouco mais de 30 dias depois da minha primeira visita.
 
 
No mesmo mês já tinha conhecido os irmãos da congregação do irmão Ismael Buso em Araçatuba, logo a seguir do Mauro Buzo em Bauru, do irmão José Nunes em Rio Claro, do irmão Valdenir em Rio Preto, dos irmãos Alonso e Odílio em Ribeirão Preto, em Descalvado e outros locais dos quais não me recordo o nome dos apascentadores.
 
 
E assim, declaro tudo isto para registrar meu contentamento e satisfação de ter ido ontem, dia 28 de maio de 2009, comemorar em Vila Simões, acompanhado de minha esposa Mitiko e da irmã Lina, os 5 anos de retorno, de aceitação de uma nova vida, de novos costumes, aprendizados e entendimentos.
 
 
Diferente das comemorações materiais onde as pessoas sentam-se ao redor de uma mesa material e alimentam-se alegremente de comidas e bebidas próprias para as festividades, sentamo-nos todos à mesa espiritual e tivemos o prazer de partilhar da ceia espiritual, comendo do pão e bebendo do vinho concedidos por Aquele Que Nos Criou, que é o maior de todos e o único que devemos chamar de Nosso Senhor.
 
 
Fica então registrado este meu momento através desta simples declaração de contentamento e agradecimento, que é apenas um pequeno resumo de tudo, e que vai servir de síntese para mim escrever no futuro expandindo o mesmo roteiro.
 
 
Walmir da Rocha Melges
 
Lins - SP
 

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